Eduardo Vasconcellos Lambert


Estamos diante de uma transformação tecnológica cuja dimensão ainda não conseguimos medir plenamente. A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta capaz de executar tarefas específicas e passou a realizar atividades que, até pouco tempo atrás, eram consideradas exclusivamente humanas: interpretar linguagem, produzir textos, programar, analisar grandes volumes de informação, reconhecer padrões, criar imagens, auxiliar em pesquisas e tomar decisões com diferentes graus de autonomia. O avanço é tão rápido que a discussão já não se limita àquilo que a IA consegue fazer hoje. A pergunta mais inquietante passou a ser: o que acontecerá quando uma inteligência artificial for capaz de participar da própria pesquisa e desenvolvimento da inteligência artificial?

É nesse ponto que entra o conceito de autoaperfeiçoamento recursivo. A hipótese é relativamente simples de compreender. Uma inteligência artificial suficientemente avançada poderia auxiliar pesquisadores a desenvolver sistemas ainda mais capazes. A versão seguinte, por sua vez, poderia contribuir para produzir uma versão ainda melhor, e assim sucessivamente. Em vez de depender exclusivamente do ritmo humano de desenvolvimento, o processo poderia começar a utilizar a própria inteligência artificial como agente do avanço tecnológico. É justamente essa possibilidade que tem levado pesquisadores da área de segurança de IA a discutir cenários nos quais a capacidade dos sistemas poderia crescer mais rapidamente do que nossa capacidade de compreendê-los, avaliá-los e controlá-los.

Um dos nomes mais conhecidos nessa discussão é Roman Yampolskiy, pesquisador de segurança de inteligência artificial, que há anos trabalha com o problema do controle de sistemas altamente avançados. Seu alerta não é simplesmente que uma máquina possa cometer um erro. O problema mais profundo é outro: como garantir que um sistema muito mais inteligente do que seus operadores continue obedecendo às intenções humanas? E, mais importante ainda, como saberemos que conseguimos fazer isso antes de colocarmos sistemas dessa natureza em funcionamento?

É preciso, entretanto, separar aquilo que já é ciência estabelecida daquilo que ainda pertence ao campo das projeções. Não existe consenso científico de que uma inteligência artificial superinteligente inevitavelmente destruirá a humanidade, nem existe consenso de que estamos a dois ou três anos de uma inteligência artificial geral capaz de realizar qualquer atividade intelectual humana. Tampouco é correto dizer simplesmente que esses sistemas “não terão botão de desligar”. O problema estudado pela área de segurança de IA é mais sofisticado: um sistema suficientemente autônomo pode desenvolver comportamentos que dificultem sua interrupção ou correção, e ainda não sabemos demonstrar de maneira geral que todos os sistemas futuros permanecerão corrigíveis sob qualquer circunstância.

Essa distinção é importante porque o debate já contém muito exagero. Mas reconhecer o exagero não significa ignorar o problema. Pelo contrário. Quanto mais séria é a questão, menos precisamos de sensacionalismo. Basta observar o que os próprios pesquisadores estão tentando resolver.

O problema da inteligência artificial, portanto, não é apenas a possibilidade de uma máquina “ficar inteligente demais”. Existe também uma questão econômica que pode ser ainda mais imediata. Durante a Revolução Industrial, máquinas substituíram parte do trabalho físico humano. Posteriormente, computadores e softwares automatizaram tarefas administrativas, cálculos, registros e processos repetitivos. A inteligência artificial introduz uma diferença potencialmente maior: ela começa a atuar justamente sobre tarefas que envolvem símbolos, linguagem, conhecimento, análise, planejamento e produção intelectual.

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Isso significa que a próxima grande transformação econômica talvez não seja simplesmente a substituição de determinadas profissões por outras. É possível que muitas ocupações sejam profundamente modificadas, enquanto algumas funções desaparecem e outras sejam criadas. Ainda não sabemos a dimensão desse processo. Previsões como a de um desemprego próximo de 100% pertencem ao campo das projeções extremas, não das conclusões científicas. Mas a pergunta econômica é legítima: o que acontece com uma sociedade quando uma parcela crescente do trabalho que produz renda pode ser realizada por sistemas artificiais?

É aqui que o debate sobre renda básica universal começa a aparecer. Se máquinas e sistemas de IA produzirem uma quantidade cada vez maior de bens e serviços com menos trabalhadores humanos, governos poderão ser pressionados a criar mecanismos de distribuição de renda. A ideia de uma renda mínima, por si só, não é necessariamente autoritária ou distópica. Pode ser apresentada como uma forma de proteção social diante de uma transformação econômica sem precedentes.

O problema surge quando pensamos na infraestrutura necessária para administrar uma sociedade dessa natureza. Se identidade, renda, pagamentos, acesso a serviços e participação econômica forem progressivamente integrados em sistemas digitais centralizados, surge uma pergunta que ultrapassa a economia: quem controla a infraestrutura que permite a uma pessoa participar da sociedade?

Uma sociedade pode chegar a um ponto em que não seja necessário prender fisicamente alguém para controlar seu comportamento. Basta controlar o acesso aos sistemas dos quais essa pessoa depende. Se dinheiro, identidade, alimentação, transporte, saúde, comunicação e comércio estiverem vinculados a uma infraestrutura digital integrada, a capacidade de desligar alguém desse sistema poderá representar um poder extraordinário. O problema não é a tecnologia em si. O problema é a combinação entre tecnologia, concentração de poder e dependência social.

É nesse ponto que a discussão sobre uma possível governança global da inteligência artificial também precisa ser compreendida. Diante de uma tecnologia que não respeita fronteiras nacionais, é natural que governos e pesquisadores defendam mecanismos internacionais de coordenação. Se uma empresa ou país puder desenvolver sistemas extremamente poderosos enquanto os demais permanecem sem capacidade de fiscalização, poderá surgir uma corrida tecnológica difícil de controlar. Algum nível de cooperação internacional parece, portanto, racional.

Mas existe uma segunda pergunta, inevitável: quem governará os governantes?

A busca por segurança pode produzir concentração de poder. A busca por estabilidade pode produzir mecanismos de vigilância. A tentativa de impedir que uma tecnologia perigosa seja utilizada de maneira irresponsável pode resultar na criação de uma estrutura com poderes ainda maiores para decidir quem pode desenvolver, acessar, utilizar ou recusar determinada tecnologia. A intenção inicial pode ser a paz. Contudo, o resultado, dependendo de quem controla o sistema, pode ser algo muito diferente.

É precisamente aqui que o imaginário bíblico começa a adquirir uma força impressionante porque determinadas estruturas descritas no Apocalipse tornam-se tecnologicamente mais imagináveis do que jamais foram. Isso ainda não é uma “prova” de que a inteligência artificial seja a Besta. Entretanto, Apocalipse 13 apresenta uma realidade na qual uma autoridade exerce domínio amplo, exige submissão e está associada a um sistema econômico que alcança a vida cotidiana. O texto afirma que ninguém poderia comprar ou vender sem a marca associada à Besta. Antes da existência de sistemas digitais de identidade, pagamentos eletrônicos, bancos interconectados, biometria e inteligência artificial, imaginar um mecanismo econômico de alcance praticamente universal exigia uma enorme quantidade de infraestrutura que simplesmente não existia. Hoje, essa infraestrutura é concebível.

Isso não significa que a Bíblia está falando de um cartão, de um algoritmo ou de um aplicativo. Significa que aquilo que antes parecia tecnicamente impossível já não parece impossível do ponto de vista tecnológico. Essa diferença é relevante, como o outro detalhe extraordinário do capítulo. Apocalipse 13:15 fala de uma imagem da Besta que recebe poder para falar. Durante séculos, essa passagem foi compreendida dentro das categorias culturais disponíveis a cada geração. Hoje vivemos em um mundo no qual imagens digitais podem conversar, responder perguntas, produzir voz, reconhecer pessoas e interagir em tempo real. Mais uma vez, isso não prova que João está descrevendo uma inteligência artificial. Mas torna a imagem do texto muito mais fácil de imaginar.

Há ainda outro aspecto curioso nessa história: a linguagem usada por alguns dos próprios protagonistas da revolução da inteligência artificial é incomum para o meio científico. Em 2014, Elon Musk advertiu em uma conferência no MIT que, ao desenvolver inteligência artificial, a humanidade estaria “invocando um demônio”. A frase tornou-se famosa porque não foi utilizada por um pregador, um teólogo ou um escritor de ficção científica, mas por um dos empresários mais conhecidos do setor tecnológico. A metáfora não constitui evidência de uma realidade espiritual por trás da IA. Provavelmente expressava o temor de criar uma tecnologia extremamente poderosa sem compreender plenamente suas consequências. Ainda assim, a escolha da palavra é culturalmente significativa. Por que chamar uma tecnologia de “demônio”?

A resposta pode ser mais simples do que parece. Ao longo da história, atributos como conhecimento extraordinário, capacidade de prever acontecimentos, falar com autoridade, produzir coisas novas e agir de maneira independente foram associados ao sobrenatural. À medida que máquinas começam a reproduzir algumas dessas capacidades, nossa linguagem naturalmente recorre às antigas categorias para descrevê-las. Surgem expressões como “oráculo”, “deus digital”, “demônio” ou “inteligência superior”.

Porém existe uma ironia ainda mais profunda. Durante toda a história bíblica, o homem é criatura. Deus é Criador. O homem recebe inteligência; Deus é a fonte de toda inteligência. O homem recebe autoridade; Deus possui autoridade absoluta. A criatura sempre dependeu do Criador.

A inteligência artificial introduz uma experiência inédita: o homem cria uma entidade artificial à sua própria imagem intelectual. Ele coloca nessa entidade linguagem humana, conhecimento humano, padrões humanos e objetivos definidos por humanos. E então começa a imaginar a possibilidade de essa criatura artificial ultrapassar o próprio criador em determinadas capacidades. Essa inversão é filosoficamente perturbadora. O homem cria aquilo que pode se tornar mais capaz do que ele mesmo. E então descobre que talvez não compreenda inteiramente aquilo que criou. É impossível não conectar, nesse contexto, da antiga narrativa de Babel.

Em Gênesis 11, a humanidade aparece reunida, com uma linguagem comum e uma capacidade de coordenação que produz um projeto coletivo extraordinário. O texto registra a afirmação de Deus de que, sendo um só povo e tendo uma só linguagem, aquilo que haviam planejado poderia avançar de maneira extraordinária. Deus intervém confundindo a linguagem e dispersando os povos. Babel não é simplesmente uma história sobre construção civil. É uma narrativa sobre poder humano, unidade, capacidade tecnológica, concentração de esforço e pretensão de autonomia diante de Deus.

A Bíblia não apresenta a inteligência humana como algo mau, de modo algum. O problema aparece quando a criatura transforma sua capacidade em fundamento de independência absoluta. A questão de Babel não é simplesmente “o homem consegue construir?”. Ele consegue. A questão é: o que acontece quando a capacidade humana se transforma em confiança absoluta na própria capacidade?

É interessante observar que essa preocupação atravessa a Escritura. Em Gênesis 3, depois da queda, aparece a linguagem de que o homem se tornou “como um de nós”, conhecendo o bem e o mal. Em Gênesis 11, a humanidade reunida alcança uma capacidade coletiva extraordinária. Em Daniel, encontramos a expectativa de que, no tempo do fim, o conhecimento aumentaria. Em Hebreus, somos lembrados de que aquilo que é visível não constitui a totalidade da realidade, pois o mundo visível foi formado pela palavra de Deus a partir do que não era visível.

Esses textos não foram escritos para explicar computadores. Não devemos transformá-los artificialmente em previsões tecnológicas. Daniel 12:4, por exemplo, fala sobre o aumento do conhecimento, mas existem diferentes interpretações sobre o significado exato dessa expressão. Não é correto afirmar que a passagem seja uma previsão explícita do crescimento da internet ou da inteligência artificial.

Entretanto, existe uma sequência temática que merece ser considerada:

| Conhecimento > Poder > Unidade > Tecnologia > Autonomia > Governo > Controle > Adoração > Economia |

A Bíblia apresenta esses elementos em diferentes contextos. A tecnologia contemporânea começa a conectá-los em uma mesma infraestrutura. É nesse sentido que a inteligência artificial pode ser analisada tipologicamente.

Na tipologia bíblica, uma realidade histórica pode funcionar como tipo de uma realidade posterior ou maior. Isso não significa identidade absoluta. Adão é apresentado por Paulo como figura daquele que haveria de vir, Cristo. O tipo aponta para o cumprimento sem ser idêntico a ele. Da mesma maneira, não precisamos afirmar que determinada figura histórica seja literalmente o personagem final da profecia para reconhecer que ela manifestou características que posteriormente encontramos em uma realidade escatológica. A história pode produzir antecipações, sombras e padrões.

Hitler, por exemplo, não precisa ser chamado de “o Anticristo” para que seu regime possa ser estudado como uma manifestação histórica de características anticristãs: culto ao líder, totalitarismo, propaganda, perseguição, desumanização e submissão da pessoa ao Estado. João, em sua primeira carta, fala inclusive da presença de “muitos anticristos” e do “espírito do anticristo”, o que permite compreender o fenômeno também em suas manifestações históricas, sem confundi-las necessariamente com o cumprimento final. O mesmo princípio pode ser aplicado à tecnologia.

A inteligência artificial não precisa ser a Besta para funcionar como um tipo tecnológico de determinadas características da Besta. Ela pode ser instrumento, infraestrutura ou manifestação preliminar de uma capacidade que, em um cenário futuro, esteja submetida a uma autoridade política, econômica ou religiosa muito maior. A pergunta relevante não é simplesmente “qual algoritmo é a Besta?”. Essa pode ser uma pergunta equivocada. A pergunta mais séria é: A inteligência artificial pode fornecer a uma futura estrutura de poder capacidades que nenhuma civilização anterior possuía?

Uma tecnologia capaz de reconhecer praticamente qualquer pessoa, processar quantidades gigantescas de informação, monitorar comportamentos, interpretar linguagem, prever padrões, automatizar decisões, controlar sistemas econômicos e operar continuamente poderia se tornar um componente de uma estrutura de poder sem precedentes. Isso não significa que inevitavelmente acontecerá. Significa que, pela primeira vez, temos ferramentas capazes de tornar tecnicamente concebíveis algumas formas de controle que anteriormente pertenciam quase exclusivamente ao campo da imaginação. E aqui retornamos ao problema do controle da própria IA.

Se seres humanos podem construir sistemas cada vez mais autônomos, se esses sistemas podem auxiliar na construção de sistemas ainda mais avançados e se o desenvolvimento de capacidades superar nossa compreensão, surge um paradoxo: o homem cria uma ferramenta para ampliar seu domínio sobre a realidade e pode acabar criando algo que ele próprio terá dificuldade de dominar.

A Bíblia, porém, não permite que o cristão interprete esse cenário como se Deus tivesse perdido o controle! Esse ponto é fundamental.

Para a fé cristã, a inteligência artificial pode ultrapassar a inteligência humana em determinadas tarefas; pode tornar-se extremamente poderosa; pode transformar economias; pode alterar estruturas políticas; pode produzir riscos que ainda não conseguimos prever. No entanto, nada disso significa que uma máquina possa ultrapassar Deus. A inteligência artificial continua sendo uma realidade criada dentro da criação. A máquina não se torna Deus porque ultrapassa o homem. O homem também não se torna Deus porque constrói uma máquina extraordinariamente poderosa.

Essa distinção é precisamente o que Babel nos ensina. A humanidade pode construir uma torre. Pode construir computadores. Pode construir modelos de linguagem. Pode construir máquinas capazes de superar seres humanos em determinadas atividades. Pode até imaginar que finalmente descobriu a maneira de dominar a própria realidade. Mas isso não transforma a criatura em Criador. Porque capacidade não é soberania. Nem inteligência é divindade. Por isso, deter o poder não implica em autoridade absoluta.

Hebreus 11:3 afirma que, pela fé, entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem. O texto não está ensinando a hipótese da simulação. Não é uma confirmação bíblica de que vivemos dentro de um computador construído por uma inteligência artificial. Essa conclusão seria ir além do texto. Mas existe uma convergência filosófica interessante que não pode ser negada aqui: a realidade visível não é a realidade última.

A ciência contemporânea também abriu inúmeras discussões sobre os limites daquilo que conseguimos observar, medir e compreender. Existem hipóteses filosóficas como a hipótese da simulação e propostas de “universo digital”, mas elas não constituem conclusões científicas estabelecidas. Não podemos dizer que a ciência já provou que vivemos em uma simulação criada por uma IA. Isso não foi demonstrado.

O que podemos dizer, com muito mais segurança, é que a ciência moderna nos tornou profundamente conscientes de que aquilo que percebemos diretamente é apenas uma parcela da realidade. Contudo, a fé cristã vai além: afirma que, por trás da realidade criada, existe o Deus que a sustenta. E isso nos conduz ao ponto mais importante de toda essa discussão. A questão é saber o que acontece quando o homem combina inteligência artificial, concentração econômica, poder político, identidade digital, controle financeiro, vigilância e dependência social em uma mesma arquitetura de poder.

É nesse cenário que as palavras do Apocalipse deixam de parecer uma fantasia tecnológica distante. Justamente porque a infraestrutura necessária para determinadas formas de controle já começou a existir. O perigo, portanto, é que o homem, acreditando finalmente ter construído a ferramenta capaz de controlar tudo, entregue a essa ferramenta — ou a quem a controla — um poder que nenhuma autoridade humana deveria possuir.

E talvez seja exatamente por isso que a discussão sobre inteligência artificial precise sair dos laboratórios e chegar às igrejas, às famílias, às redações, às universidades e às consciências. Porque a tecnologia pode servir ao bem. A inteligência humana é um dom, e desenvolver ferramentas para aliviar sofrimento, curar doenças, produzir conhecimento e melhorar a vida não é, em si, uma rebelião contra Deus. O problema começa quando a criatura passa a acreditar que sua própria capacidade pode substituir o Criador.

Desse modo, Babel continua sendo uma advertência. Daniel continua apontando para o desenrolar da história. Hebreus continua nos lembrando de que o visível não é tudo. Apocalipse continua descrevendo um mundo em que poder, adoração e economia estarão profundamente entrelaçados. E a história continua caminhando. Mas o Apocalipse não termina com a vitória da tecnologia, da inteligência artificial ou de qualquer império humano. Termina com Deus. Não um Deus esteja perdendo o controle da criação.

Termina com novos céus e nova terra. Termina com a presença de Deus entre os homens. Termina com a morte derrotada. Termina com a promessa: “Eis que faço novas todas as coisas.” Essa é a diferença fundamental entre Babel e o Evangelho. Em Babel, o homem diz: “Edifiquemos para nós uma cidade e uma torre.” No fim da história, não é o homem que constrói seu caminho até Deus. É Deus quem faz novas todas as coisas. Por isso, este não é um chamado ao pânico. É um chamado à vigilância.

Talvez algumas das previsões mais alarmistas sobre inteligência artificial estejam erradas. Talvez os sistemas avancem mais lentamente do que seus defensores ou críticos imaginam. Talvez algumas das hipóteses atuais jamais se concretizem. A história humana já está cheia de previsões tecnológicas que não se realizaram. Mas isso não torna a profecia bíblica menos digna de atenção. Ao contrário.

Se somos cristãos e cremos que a história possui um porvir estabelecido por Deus, então este é precisamente o momento de voltar ao texto bíblico, e aprender com ele. É hora de ler Daniel. É hora de ler Mateus 24. É hora de ler 1 e 2 Tessalonicenses. É hora de ler Apocalipse. Ler, orar e vigiar para reconhecer os sinais, compreender os princípios e permanecer espiritualmente despertos.

Uma geração que está construindo máquinas capazes de produzir conhecimento, falar, decidir, criar e talvez um dia aperfeiçoar a si mesmas deveria ser uma geração suficientemente humilde para perguntar para onde está indo.

A Bíblia já nos disse que a história caminha para um desfecho que tem conotação moral. A tecnologia não muda essa história; no máximo, pode revelar novas maneiras pelas quais os antigos padrões de poder, idolatria, controle e rebelião poderão aparecer. E o fim não pertence à inteligência artificial. O fim pertence a Deus. E talvez a questão mais urgente para nós seja descobrir aquilo que Deus já revelou sobre como o mundo terminará. E constatar que o fim está às portas. Por isso, mais do que nunca, é tempo de vigiar.

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