Por Anthony O’Hear
O conservadorismo é uma abordagem aos assuntos humanos que desconfia tanto do raciocínio a priori quanto da revolução, preferindo depositar sua confiança na experiência e no aprimoramento gradual de sistemas testados e comprovados. Como uma declaração consciente de posicionamento, ele data da reação de Burke e de Maistre ao pensamento e às práticas do Iluminismo e da Revolução no século XVIII. Suas raízes, contudo, são muito mais profundas. De Platão, os conservadores derivam uma noção da complexidade e do perigo da natureza humana, embora rejeitem enfaticamente sua crença na conveniência da governança filosófica. De Aristóteles, os conservadores derivam sua noção da necessidade da experiência prática para julgar questões morais e políticas, e sua compreensão do papel da tradição na inculcação de hábitos de virtude e sabedoria nos jovens.
Em contraposição a Platão, os conservadores preferem o governo limitado defendido por Hobbes, devido à sua crença na ignorância e na corrupção dos governantes, e ao seu desejo de incentivar a autossuficiência dos súditos. Contudo, rejeitam qualquer concepção de contrato social. Nisso, seguem de Maistre, que argumentava que os seres com as instituições e reações necessárias para formar um contrato social já estariam inseridos em uma sociedade e, portanto, não teriam necessidade de tal contrato.
Embora de Maistre tenha enfatizado o terror subjacente ao poder político, a posição de Burke é mais característica do conservadorismo anglo-saxão moderno. Para Burke, uma boa constituição é aquela adornada com “ilusões agradáveis” para tornar o “poder brando e a obediência liberal”. É também aquela que dissipa o poder na sociedade por meio de instituições autônomas independentes do Estado. Por essas duas razões, os regimes comunistas da Europa Oriental não podiam ser defendidos pelos conservadores, embora por um tempo tenham representado uma forma de ordem social.
Embora o conservadorismo não seja antitético ao livre mercado, e embora o mercado incorpore virtudes que o conservador aprovaria, para o conservador o mercado precisa ser complementado pela moralidade, pelas instituições e pela autoridade necessárias para sustentá-lo. Os seres humanos são, por natureza, políticos e, inevitavelmente, derivam sua identidade da sociedade à qual pertencem. Nosso senso de identidade é estabelecido por meio de nossos relacionamentos familiares e também pelo reconhecimento e distribuição mais amplos dos papéis que conquistamos no mundo público, para além da família. Segundo Hegel, que desde Aristóteles escreveu com maior profundidade sobre a interação entre o privado e o público na vida humana, tanto a família quanto o mundo público da sociedade civil precisam ser sustentados pela autoridade do Estado. Por outro lado, as distinções entre família, sociedade civil e Estado precisam ser mantidas contra a tendência tipicamente moderna de tratá-los coletivamente. Em sua insistência tanto na autoridade quanto nos mecanismos de controle e equilíbrio necessários a uma boa sociedade, pode-se dizer que Hegel é o mais eloquente e sistemático dos pensadores conservadores.
O conservadorismo tem sido muito criticado por sua tendência à complacência e à aceitação do status quo, mesmo quando este é inaceitável. Contudo, ao enfatizar a imperfeição da natureza humana e os perigos de uma revolução generalizada, pode-se dizer que ele é mais realista do que seus oponentes. Os conservadores também podem se contentar com a afirmação de que as sociedades registadas por estruturas políticas conservadoras têm sido mais bem-sucedidas, moral e materialmente, do que as sociedades socialistas ou liberais. Eles acreditam que essa afirmação é verdadeira, e um aspecto fundamental de sua posição é que a disputa entre eles e seus oponentes é, em essência, empírica.

