Brasileiros se juntam a alemães, espanhóis e argentinos que enxergam no país vizinho uma alternativa para investir, empreender e construir uma nova etapa de vida.
Da Redação
O Paraguai deixou de ser apenas um destino alternativo para investidores mais atentos e passou a ocupar espaço de destaque no radar de pessoas que buscam segurança patrimonial, qualidade de vida e novas oportunidades. O fenômeno, que há anos atrai alemães, argentinos e norte-americanos, ganhou força recentemente com a chegada de espanhóis, australianos, holandeses e, cada vez mais, brasileiros.
O conceito de “Plano B” não está associado ao abandono do país de origem, mas à construção de uma alternativa concreta diante das incertezas do mundo atual. Ter uma segunda residência, diversificar investimentos ou estabelecer uma base em outro país tornou-se uma estratégia adotada por famílias e empreendedores que desejam ampliar suas opções para o futuro.
A advogada Grisy Logan, especialista em imigração e estruturação jurídica no Paraguai, acompanha esse movimento há mais de 15 anos. Segundo ela, os estrangeiros que chegam ao país compartilham uma característica comum: a busca por liberdade e previsibilidade.
“Não quero depender de um só lugar. Isso é liberdade para muitos”, resume a profissional, ao relatar o pensamento recorrente entre seus clientes.
A pandemia acelerou esse processo. As restrições de mobilidade impostas em diversos países fizeram com que milhares de pessoas percebessem a importância de possuir alternativas reais caso precisassem mudar rapidamente seus planos de vida.
Brasileiros aderem à tendência
Os brasileiros passaram a integrar de forma significativa esse fluxo migratório. Dados divulgados pela Direção Nacional de Migrações do Paraguai indicam que, somente em 2025, mais de 23 mil brasileiros obtiveram autorização de residência no país, representando a maior parcela entre os estrangeiros regularizados naquele período.
A procura é impulsionada por diferentes fatores: empresários que desejam expandir seus negócios, aposentados em busca de menor custo de vida, investidores interessados no mercado imobiliário e famílias que enxergam no Paraguai um ambiente mais tranquilo para criar os filhos.
Assim, os brasileiros somam-se a uma lista crescente de imigrantes que escolheram o Paraguai como uma espécie de “Plano B” — não por rejeitarem seus países de origem, mas por desejarem preservar opções diante das transformações econômicas e sociais do cenário global.
Por que o Paraguai?
Entre os fatores que explicam essa crescente atratividade estão o sistema tributário territorial, a relativa facilidade para abertura de empresas, o custo de vida competitivo e os indicadores macroeconômicos favoráveis.
No Paraguai, rendimentos gerados fora do país não estão sujeitos à tributação local, característica que desperta interesse de empresários e profissionais com atividades internacionais.
A economia também tem apresentado resultados positivos. O país recebeu grau de investimento das principais agências internacionais de classificação de risco e registrou crescimento econômico expressivo nos últimos anos, reforçando a percepção de estabilidade.
Além disso, o Paraguai mantém índices de violência inferiores aos de vários países da região e oferece uma rotina considerada mais tranquila por muitos dos recém-chegados.
Uma imigração diversificada
De acordo com Grisy Logan, os estrangeiros que escolhem o Paraguai vêm de mais de 25 nacionalidades diferentes. Alemães estão presentes há décadas. Argentinos intensificaram sua presença nos últimos anos. Espanhóis formaram grandes comunidades virtuais para trocar informações sobre oportunidades no país.
O perfil predominante é composto por pessoas na faixa dos 30 anos, muitas delas empreendedoras, embora também haja aposentados e famílias inteiras em busca de uma nova etapa de vida.
Mais do que vantagens econômicas, muitos relatam valorização de aspectos cotidianos, como a receptividade da população, o contato com a natureza, a oferta de alimentos frescos e a sensação de viver em um ambiente menos burocrático.
Mercado imobiliário em expansão
O setor imobiliário aparece como um dos principais beneficiários desse movimento migratório. Para quem busca estabelecer uma base no país, os imóveis representam segurança patrimonial, possibilidade de geração de renda e potencial de valorização.
Assunção concentra grande parte desse crescimento. Nos últimos anos, a capital registrou recordes na aprovação de novos empreendimentos residenciais, refletindo o aumento da demanda local e internacional.
As recentes mudanças nas regras migratórias também reforçaram essa tendência. O programa conhecido como Investor Pass permite a obtenção de residência permanente mediante investimentos qualificados, sinalizando o interesse do governo em atrair capital estrangeiro.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, tem defendido publicamente a abertura econômica do país e a criação de condições favoráveis para investidores e empreendedores internacionais.
“Queremos que o Paraguai seja reconhecido como um país amigável ao capital privado, onde existam estabilidade, previsibilidade e oportunidades para quem deseja investir e gerar empregos.”
Em diferentes ocasiões, destacou que o Paraguai busca se consolidar como um dos destinos mais competitivos da região para quem deseja produzir, investir e construir novos projetos de vida.
Um movimento que deve continuar
O que antes parecia restrito a pequenos grupos tornou-se uma tendência internacional mensurável em números, investimentos e decisões concretas. Alemães, argentinos, espanhóis, norte-americanos, australianos e agora milhares de brasileiros passaram a enxergar o Paraguai como uma alternativa viável para viver, investir ou simplesmente manter uma porta aberta para o futuro.
Em um cenário global marcado por incertezas, o país vizinho surge, para muitos, não como uma rota de fuga, mas como uma estratégia de diversificação. E tudo indica que esse movimento ainda está longe de atingir seu ponto máximo.

