Da Redação
Prevenção de riscos com análises estatísticas, histórico e tecnologia comportamental estão entre as novas atribuições da IA
Plataformas e aplicativos de segurança escolar que usam Inteligência Artificial conseguem indicar, em tempo real, o clima escolar, vulnerabilidades e situações fora do padrão. A combinação entre IA e gestão escolar amplia a capacidade de prevenção, reduz o tempo de resposta e melhora a assertividade das decisões.
A IA funciona como um sistema de monitoramento inteligente. Ela cruza dados vindos de diferentes fontes, identifica padrões de comportamento e aponta sinais de alerta que muitas vezes passariam despercebidos. Isso permite prever riscos e agir antes que um incidente aconteça.
Para isso, a tecnologia utiliza análises estatísticas, leitura de padrões históricos, visão computacional e modelos de comportamento. Ao comparar dados atuais com registros anteriores, a IA calcula probabilidades de ocorrência e sinaliza mudanças que merecem atenção da equipe gestora.
Segundo Leo Gmeiner, professor de Empreendedorismo e Inovação no MBA da FIAP e Diretor de Novos Negócios da School Guardian, a IA se tornou um recurso indispensável para reforçar a segurança escolar. Ele explica que muitos comportamentos ligados a bullying, conflitos ou episódios de risco seguem padrões que se repetem com frequência, o que permite à tecnologia antecipar possíveis problemas.
Com base nesse histórico, a IA identifica sinais como mudanças bruscas de comportamento, aumento de faltas, registros disciplinares frequentes, agressões em ambientes digitais, relatos de estudantes e conflitos entre grupos. Também aponta anomalias na rotina da escola e comportamentos que destoam do padrão observado.
Essas informações formam modelos preditivos que mostram aumentos de probabilidade de incidentes. Assim, a gestão pode intervir antes que o problema apareça. Além disso, a análise em tempo real permite respostas mais rápidas a ocorrências e incidentes.
Gmeiner ressalta que as plataformas não enviam alertas apenas de fatos que estão acontecendo naquele exato momento. O objetivo é indicar alta probabilidade de risco, o que dá tempo para intervenção antecipada. Ele também destaca sua experiência como instrutor de segurança, formado pelo treinamento ALICE, protocolo internacional de resposta a ameaças ativas em escolas e locais de trabalho. “ALICE” é um acrônimo para Alerta, Bloqueio, Informação, Contra-ataque e Evacuação.
Plataformas de segurança que usam IA oferecem painéis de risco com dados atualizados, índices de comportamento e indicadores de vulnerabilidade. A ferramenta também envia alertas automáticos para diretores, psicólogos ou profissionais responsáveis. Há ainda recursos de escuta digital, permitindo que alunos e funcionários façam relatos anônimos, analisados por algoritmos de linguagem natural. Segundo José Rubens Rodrigues, Diretor de Tecnologia e Cofundador da School Guardian, isso amplia a precisão das análises e fortalece a cultura de prevenção.
As plataformas também ajudam no mapeamento de áreas sensíveis da escola, mostrando onde ocorrem mais incidentes, como corredores, pátios ou entradas. Além disso, automatizam rotinas de segurança, como checklists, planos de contingência e protocolos de resposta.
Mesmo com toda essa tecnologia, o olhar humano continua central. A IA não substitui o papel dos gestores, professores e demais profissionais, mas amplia sua capacidade de prevenir, mitigar e responder. Como destaca Leo Gmeiner, a força da IA está em transformar dados históricos e comportamentais em informação acionável, sempre acompanhada da intervenção humana.

