Por Eduardo Vasconcellos Lambert


O Brasil vive hoje uma crise múltipla. Entre alta criminalidade, corrupção endêmica e ausência de um projeto de país consistente, a população convive com ruas perigosas, serviços públicos frágeis e políticas populistas que, longe de resolver os problemas estruturais, apenas alimentam a dependência e perpetuam a desigualdade. O país se aproxima do que analistas chamam de narcoestado, com influência do crime organizado em diversas regiões, inflação alta camuflada, fragilidade institucional e incapacidade de planejar o futuro. Medidas recentes, como o aumento do Bolsa Família, o Vale Gás e as fraudes recorrentes no INSS, evidenciam um governo que não investe em soluções duradouras, aumenta impostos e mantém a população refém de migalhas do poder público.

Diante desse cenário, olhar para experiências internacionais é essencial. Três países distintos — El Salvador, Singapura e Coréia do Sul — mostram que mudanças profundas são possíveis quando lei, disciplina social, planejamento e valores culturais se combinam.

El Salvador: disciplina e combate efetivo à criminalidade

Sob o governo de Nayib Bukele, El Salvador implementou medidas rigorosas de combate às gangues que transformaram significativamente a realidade do país. Entre elas:

  • Sistema carcerário rigoroso: prisões em massa de integrantes de gangues, com monitoramento intenso, disciplina interna e segregação adequada para reduzir influência do crime dentro dos presídios.
  • Mudanças na lei penal: endurecimento das penas, simplificação de processos para crimes graves e foco estratégico na criminalidade organizada.
  • Coordenação social e governamental: integração entre forças de segurança, planejamento urbano e políticas de prevenção, criando maior presença do Estado e segurança para os cidadãos.
  • Projetos de megainfraestrutura: turismo e o uso de Bitcoin como moeda legal (experiência simbólica e também prática), têm sido promovidos para diversificar imagem e fontes de receita

Os resultados foram claros: queda drástica nos índices de homicídio, aumento da sensação de segurança e retomada de áreas antes dominadas por grupos criminosos. Para o Brasil, a lição não está na forma autoritária em si, mas na importância de regras claras, aplicação rigorosa da lei, prisão efetiva e compromisso coletivo com a segurança, que são pré-requisitos para qualquer transformação social significativa.

Singapura: disciplina, planejamento e excelência educacional

Singapura é um exemplo singular de como planejamento estratégico e disciplina cultural podem gerar prosperidade e coesão social. Na década de 1960, o país enfrentava pobreza generalizada, insegurança urbana e infraestrutura precária. Hoje, o cenário é outro, resultado de medidas concretas:

  • Política fiscal eficiente: impostos zerados ou mínimos para a população, equilibrados por planejamento econômico e atração de investimentos estrangeiros, incentivando empreendedorismo e crescimento.
  • Controle do crime: policiamento rigoroso, legislação preventiva e cultura social baseada em disciplina, garantindo segurança urbana e previsibilidade.
  • Pleno emprego: políticas de capacitação, educação técnica e integração entre universidades e mercado de trabalho garantem ocupação produtiva para toda a população economicamente ativa.
  • Educação e formação de caráter: método de ensino de matemática altamente eficaz, aliado à exaltação de virtudes e valores tradicionais, promovendo disciplina, responsabilidade e meritocracia.
  • Habitação e saúde públicas: programas habitacionais planejados e sistema de saúde acessível garantem qualidade de vida ampla, inclusive para famílias de baixa renda.

Os benefícios são evidentes: segurança, estabilidade econômica, educação de excelência, mobilidade social e coesão ética. Para o Brasil, Singapura ensina que uma sociedade próspera exige disciplina, planejamento e formação de caráter, e não apenas soluções emergenciais ou assistencialistas.

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Coreia do Sul: fé, resiliência e mobilização cultural

Após a devastação da Guerra da Coréia, o país reconstruiu-se por meio de uma integração entre planejamento econômico e mobilização cultural. Entre as medidas que levaram a benefícios concretos para a população:

  • Planejamento econômico e industrial: investimento em exportação, tecnologia e infraestrutura, garantindo crescimento acelerado, geração de empregos e desenvolvimento sustentável.
  • Educação e disciplina social: escolas focadas em excelência acadêmica, mérito e valores éticos, preparando cidadãos capacitados e responsáveis.
  • Mobilização espiritual e comunitária: igrejas cristãs promoveram campanhas de oração, organização social e fortalecimento de virtudes como trabalho, perseverança e solidariedade.

O resultado foi um país próspero, com mobilidade social ampla e população engajada ética e moralmente. Para o Brasil, essa experiência evidencia que valores compartilhados e fé organizada podem ser pilares de transformação social, formando cidadãos comprometidos com a ética, a disciplina e o bem-estar coletivo.

O Brasil: dependência, improviso e tributos crescentes

Em contraste com essas experiências, o Brasil hoje se vê refém de soluções pontuais e populistas, sem visão de longo prazo:

  • Dependência de benefícios imediatistas: aumento do Bolsa Família, Vale Gás e programas similares mantém a população dependente do Estado, sem gerar oportunidades reais de crescimento.
  • Fraudes e corrupção: irregularidades no INSS e outros órgãos reforçam a percepção de impunidade e desperdício de recursos públicos.
  • Planejamento tributário deficiente: enquanto países bem-sucedidos usam impostos como instrumento estratégico equilibrado, o Brasil discute um imposto único que, na prática, tende a aumentar a carga tributária, em vez de reduzir, prejudicando investimentos e crescimento sustentável.
  • Insegurança jurídica: ativismo judiciário pernicioso tem escalado a cada dia, comprometendo as liberdades civil e política, trazendo repercussão internacional de tarifas e sanções econômicas.

O país precisa de um projeto nacional claro, que combine segurança efetiva, disciplina social, educação de qualidade e incentivos à produtividade, além de reforma tributária realista que reduza impostos em vez de ampliar dependência.

Quais lições concretas esses exemplos trazem para o Brasil

Segurança e lei firme: Nenhum país prospera em meio à violência. El Salvador demonstrou que é possível reduzir drasticamente a criminalidade quando o Estado assume a responsabilidade de impor a lei com firmeza. Para o Brasil, isso significa investir em um sistema carcerário disciplinado, reformar a legislação penal e fortalecer as forças de segurança. Mais do que números, trata-se de devolver à população o direito básico de viver sem medo, condição essencial para o desenvolvimento econômico e social.

Planejamento estratégico: Singapura e Coreia do Sul mostraram que nações pequenas e frágeis podem se tornar potências quando têm visão de longo prazo. Projetos consistentes em educação, infraestrutura, saúde e tecnologia criam prosperidade que atravessa gerações. O Brasil, ao contrário, tem se perdido em improvisos e medidas de curto prazo. O desafio é estabelecer metas claras e políticas de Estado que sobrevivam a governos, garantindo estabilidade e confiança para investimentos.

Tributação inteligente: Um país não pode crescer sufocando sua própria população com impostos. Singapura prosperou reduzindo tributos e atraindo investimentos, enquanto o Brasil insiste em uma estrutura tributária pesada, burocrática e ineficiente. A proposta de um “imposto único”, ao invés de simplificar, aponta para o aumento da carga tributária, penalizando trabalhadores e empresários. A lição é clara: reduzir impostos, simplificar processos e liberar recursos para quem produz é caminho indispensável para prosperidade real.

Educação e valores: Educação não é apenas transmissão de conteúdo, mas também formação de caráter. O método de ensino de matemática de Singapura, aliado à exaltação de virtudes tradicionais, e a disciplina escolar da Coreia do Sul são exemplos de como unir conhecimento técnico e ética social. O Brasil precisa de uma escola que ensine ciência, mas também valores, disciplina e responsabilidade, formando cidadãos preparados para o trabalho e para a vida em comunidade.

Fé e engajamento cultural: A Coreia do Sul é prova de que a fé pode ser motor de transformação nacional. Campanhas de oração e mobilização da igreja cristã moldaram valores de perseverança, solidariedade e trabalho, fundamentais para a reconstrução do país. No Brasil, a fé cristã já é um pilar da identidade nacional, mas precisa ser mais do que devoção: deve se transformar em engajamento cultural, ético e comunitário, ajudando a fortalecer virtudes que combatam a corrupção, a violência e a desordem.

El Salvador, Singapura e Coreia do Sul provam que mudanças estruturais e culturais são possíveis, e que políticas eficazes combinadas com disciplina, valores e fé geram benefícios reais e duradouros para a população. O Brasil, ao contrário, vive dependência, corrupção e improviso, sem rumo definido.

Para transformar sua realidade, o país precisa romper com a cultura da dependência, adotar medidas firmes de segurança, investir em educação e caráter, reduzir impostos e mobilizar a sociedade em torno de valores éticos e fé sólida, construindo um país seguro, justo e próspero, capaz de olhar para o futuro com confiança e dignidade.

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